Na última quarta-feira, na ocasião da abertura de um novo centro de pesquisa e desenvolvimento da Microsoft em Pequim, na China, Steve Ballmer, CEO da empresa, comentou a presença da mesma no país.
Numa comparação que impressiona, Ballmer disse que mesmo com as vendas de computadores em níveis próximos, o que a Microsoft arrecada na China é apenas 5% do que fatura nos Estados Unidos. O problema, claro, é a pirataria.
Em resposta a uma das mais célebres desculpas à pirataria, a de que software é caro, Ballmer respondeu diretamente. Segundo ele, computadores também são caros, de modo que se uma pessoa tem condições de comprar o hardware, deveria igualmente arcar com as despesas de software. Ainda segundo o CEO, o maior problema da pirataria na China não é o preço dos programas, mas sim a falta de repressão e conscientização do governo chinês acerca da questão.
Mesmo países que sofrem com a pirataria não impactam tanto nas finanças da Microsoft como a China, cuja taxa de software ilegal, segundo a BSA, está atualmente na casa dos 78%. A Índia, outro mercado que sofre com esse problema, foi usada como parâmetro por Ballmer para demonstrar a periclitante situação chinesa. A empresa ganha seis vezes mais dinheiro por PC vendido na Índia do que na China. Nas palavras dele, se houvesse um mínimo de interesse em barrar o software ilegal no país ele poderia se tornar um mercado de "bilhões de dólares".
Apesar das críticas, o governo chinês alega estar tomando medidas para conter a pirataria. Fruto desse esforço ou não, a BSA corrobora essa declaração. Em contraponto aos 78% de pirataria de 2010, em 2005 o índice era mais alto, de 86%. De qualquer forma, é impossível dizer se o discurso do governo da China condiz com a realidade ou se é só fachada. Mais um (grande) desafio para a desde sempre contestada posição de Ballmer à frente da Microsoft.
Via Ars Technica.
