Foi em meados de 2008 que a última "major release" do Firefox, a 3, foi lançada. Dois anos e meio e duas atualizações consideráveis, 3.5 e 3.6, depois, ainda falta mais um pouquinho para o esperado e por diversas vezes adiado Firefox 4 se livrar dos bugs remanescentes e aparecer nos desktops dos que ainda não migraram para a concorrência, aka Chrome.
Hoje a guerra dos navegadores é muito mais acirrada do que em 2008. O gigantesco atraso na liberação da versão final do Firefox 4 (ontem saiu o Beta 11, e ainda haverá mais um antes do RC) de certo modo "cansou" a imagem do programa. Levando em conta o lançamento do Chrome, no final de 2008, e seu ciclo insano de atualizações, com novas "major releases" a cada pouco mais de um mês, a situação do panda vermelho ganha um tom ainda mais dramático.
Já faz algum tempo, quando ainda se falava em Firefox 3.7, que a Mozilla anunciou que mudaria o roadmap do programa. Ao invés de grandes versões espaçadas, concentrando todas as novidades, passariam a distribuir essas em atualizações que, até então, serviam apenas para corrigir bugs, as famosas 3.6.x, por exemplo.
Parece que não foi o bastante. Um documento detalhando o roadmap do Firefox para 2011 surgiu no wiki oficial da Mozilla. Se você esperava apenas o Firefox 4 ainda no primeiro trimestre e algum beta de um eventual Firefox 4.5 até o fim do ano, segura essa: ainda em 2011, estaremos usando o Firefox 7!
O documento tem status "draft", o que significa que pode e provavelmente será alterado, mas não seria tornado público se não houvesse um comprometimento mínimo com o que está escrito ali. E ali lê-se, claramente, no tópico "Product Roadmap", Firefox 5, Firefox 6 e Firefox 7. Inclusive com o que teremos em cada uma dessas versões.
Firefox 5
- Gerenciador de contas;
- Interface de compartilhamento simplificada;
- Animações na interface;
- Suporte a 64 bits no Windows.
Firefox 6
- Web apps;
- FasterCache;
- Suporte ao Mac OS X 10.7 "Tiger";
- Otimizações de JavaScript.
Firefox 7
- Electrolysis (separação de componentes do navegador em diversos processos).
Essa acelerada violenta no roadmap do Firefox é uma prova cabal de que o modelo da Google, de atualizações ágeis com novidades constantes, é melhor. Trabalha-se em menos componentes num espaço mais curto de tempo, mantém o programa em evidência na mídia e junto aos usuários, e agrada esses, entregando a eles, a nós, surpresas a todo momento.
Uma coisa é mudar sua estratégia, outra é torná-la eficaz em seu produto. Apesar de ter uma base de usuários bastante fiel, já faz algum tempo que o Firefox não cativa novos usuários. As sucessivas quedas de market share do Internet Explorer estão incrementando a base de usuários do Chrome, e o que antes era uma guerra de duas grandes forças tem tudo para, em pouco tempo, transformar-se numa batalha envolvendo três grandões. O que é bom para o usuário, de qualquer forma. Se até 2004 estávamos presos ao Internet Explorer, hoje o problema é qual navegador escolher dentre tantas ótimas opções — incluindo, o que chega quase a ser irônico, o próprio IE.

