Um erro de cálculo entre nosso horário e o fuso PST fez com que eu me atrasasse vinte minutos na cobertura do primeiro dia da MIX '10, que cobrimos, hoje, em parceria com o Meio Bit. Problemas logísticos à parte, parece que só perdi a exibição de uma app do eBay. Felizmente, cheguei a tempo e pude conferir, ao lado dos leitores dos dois blogs, o que a Microsoft tinha a mostrar sobre o Windows Phone 7 Series.
Sim, hoje o assunto foi a nova versão do sistema operacional móvel da Microsoft. Previsto para o fim do ano, o Windows Phone 7 Series é algo totalmente novo. Rompe o legado com a versão atual, Windows Mobile 6.5, e renova o fôlego do calejado e criticado software para dispositivos móveis da empresa.

Já tínhamos visto alguma coisa do WP7S no Mobile World Congress, em Barcelona, mês passado. Hoje, em Las Vegas, vimos mais. Vimos que, levando para a palma da mão o mantra que consagrou a Microsoft como empresa amiga do desenvolvedor ("developers! developers! developers!"), os desenvolvedores ganharão muito desenvolvendo para a plataforma. Ou melhor, ganham; as ferramentas para criar apps para o WP7S (a saber, Visual Studio 2010 Express for Windows Phone, Expression Blend 4 for Windows Phone e XNA Game Studio 4.0) já estão disponíveis, e são todas gratuitas.
No palco, as ferramentas de desenvolvimento do WP7S foram demonstradas, e impressionaram pela robustez e facilidade de criação. Em poucos minutos, os palestrantes criavam aplicações partindo do zero, de coisas rudimentares, como um mecanismo de busca baseado no Twitter, até coisas mais elaboradas, como um álbum de fotos que organiza imagens pela data e que, nas palavras do Cardoso, "é mais bem feito que o app padrão do Symbian". Todos os demais aplicativos mostrados também foram feitos em pouco tempo, no máximo três semanas, período em que os desenvolvedores tiveram em mãos o SDK da plataforma.
Vários parceiros subiram ao palco, e apresentaram alguns apps que demonstravam o poder e a flexibilidade do novo sistema. A maioria deles, feita em Silverlight - que, aliás, foi promovido à versão 4 RC durante a apresentação. Alguns detalhes saltaram à vista, como a uniformidade da interface, e a forte integração com pontos principais do sistema, como live tiles, HUBs e Bing Maps. Os próprios apps em si também chamaram muito a atenção, como o da Netflix, que faz streaming utilizando a sensacional tecnologia Smooth Streaming, do Silverlight. Outro? O Graphic.ly, app de HQs, com suporte ao Deep Zoom. Lembre-se: é o mesmo Silverlight que roda no PC, e não uma versão "lite", ou adaptada.
Alguns jogos foram demonstrados, e a já comentada conectividade entre as três telas (smartphone, PC e video game) foi demonstrada ao vivo, através do jogo The Harvest (lembra?). O mesmo game, jogando no WP7S, Xbox 360 e Windows 7. Também apareceram alguns recursos da Xbox LIVE, como os achievements.
Ainda sobre apps, vimos as push notifications, notificações em tempo real de aplicativos abertos, o uso do acelerômetro para controlar um robô que disparava camisetas à plateia, dentre outros. Aspectos sociais, como comentários e integração com redes como Twitter, Foursquare e Facebook, se fazem presentes em apps de terceiros e integrados ao núcleo do sistema, todas recebendo e enviando atualizações em tempo real. Isso tem um significado importante, especialmente no Brasil: o WP7S não foi feito para planos pré-pagos, ou melhor, para ser usado offline. Se é sua intenção pôr as mãos num smartphone equipado com o novo sistema, trate logo de conseguir um generoso plano de dados com sua operadora - daí o destaque no "Brasil".
O HUB da Marketplace, único ainda desconhecido antes do início da apresentação foi demonstrado, e é de cair o queixo. Bem organizada, a lojinha do WP7S trará apps, jogos, e as já tradicionais músicas.

Foram duas horas de pura inovação e muitos "uau!". A repercussão, tanto entre usuários finais, quanto desenvolvedores, é uma mistura de excitação e euforia. É possível uma empresa entrar num mercado onde um player já está consolidado, e abalá-lo? É difícil, sim, mas não impossível. A cada nova informação, a Microsoft mostra que vem para brigar com seriedade com o iPhone. É muito cedo para dizer, mas já dá para arriscar um palpite de que, no mínimo, a Apple terá que se mexer para que seu smartphone se mantenha na confortável posição que, com todos os méritos, conquistou.
