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Janelas da web

Publicado por Redação em 29/09/10 às 14h02

O presente e o futuro dos principais navegadores. Por Rodrigo P. Ghedin.

Por Rodrigo P. Ghedin,
Publicada originalmente na Revista Oficial do Windows #30

Na década passada, quando uma tal de internet começava a virar febre, Bill Gates disse que era apenas uma “moda passageira”. O tempo mostrou que, mais uma vez, o outrora (até a próxima lista da Forbes, pelo menos) homem mais rico do mundo estava errado.

Dentre todas as formas de interagir com o ambiente virtual, a principal e mais utilizada janela é a do navegador ou, caso prefira a nomenclatura em inglês, browser (lê-se “brauser”). Se nos primórdios da grande rede ele servia para ler textos e, no máximo, visualizar algumas (toscas) imagens em GIF, a situação de hoje é completamente diferente. Rodamos aplicações ricas, com vídeos e alto grau de interatividade, e até sistemas inteiros. Em breve, o Google dará mais um passo nessa escalada, e fará de seu navegador não um dos, mas o único aplicativo, à base de seu sistema operacional Chrome OS. De mero coadjuvante, o browser corre o risco de se tornar o principal aplicativo do computador.

Os principais navegadores do mercado são quatro: Internet Explorer, Firefox, Chrome e Opera. Todos (sem trocadilhos) travam uma verdadeira guerra pela preferência do usuário, e tamanha competitividade resulta em um fluxo de melhorias e atualizações extremamente ágil.

Longe de oferecer um guia definitivo, nosso objetivo é orientar o usuário sobre as alternativas que ele tem à disposição e o que cada uma oferece.

Chrome

Google Chrome.

O Chrome é o caçula dos navegadores. Apareceu de surpresa no final de 2008 e trouxe inovações impactantes na área, como foco em velocidade de carregamento de códigos JavaScript e interface minimalista, dando ênfase total às páginas em si.

Contudo, o grande trunfo do Chrome está no ritmo de desenvolvimento. Ao contrário dos concorrentes, a Google emprega velocidade frenética na criação e liberação de novos recursos para seu navegador. Prova disso é que, em pouco mais de um ano, ele já está em sua quarta versão estável.

No decorrer de 2009, o Chrome recebeu melhorias – muitas delas pedidas por seus usuários – mas sem deixar de lado a leveza e simplicidade que o caracteriza. De temas às extensões, com o passar do tempo, as lacunas foram sendo preenchidas. Dentre todos, o Chrome é o navegador com maior taxa de adesão – em março de 2010, já era o terceiro navegador mais utilizado, detendo 6,1% do mercado.

A Google tem planos ambiciosos para seu navegador. Em uma coletiva de imprensa realizada em dezembro último, revelou-se o Chrome OS, sistema operacional baseado no navegador. Em suma, trata-se de uma distribuição Linux cujo único programa disponível é o próprio browser Chrome. Os demais aplicativos rodarão na nuvem, ou seja, a partir da internet. Destinado a netbooks ou notebooks mais simples. ainda em 2010 deveremos ver os primeiros modelos com Chrome OS nas prateleiras.

Sobre o futuro…

É difícil prever o que a Google planeja para seu navegador. Embora esteja em constante evolução, informações oficiais acerca das novidades do Chrome são escassas. A última apresentada foi um tradutor de sites automático e integrado ao programa, funcionando com base no Google Translate, serviço de tradução da empresa. Embora não haja previsões concretas sobre o futuro do Chrome, uma coisa é certa: ele continuará a evoluir. Não há sinais de que as novidades cessarão ou mesmo diminuirão.

Superdica!

Há três versões do Chrome: stable, beta e dev. A stable é mais indicada para uso geral por ser a mais estável de todas. Já a dev e beta recebem novos recursos em primeira mão, mas são sujeitas a bugs e falhas. Enquanto as versões beta e dev estão aqui, a stable está no site oficial do Chrome.

Internet Explorer 8

Internet Explorer 8.

O Internet Explorer é, ainda, o navegador mais usado do mundo. Segundo a Net Applications, até março de 2010, a fatia de mercado do browser da Microsoft era de 60%, o que até pode parecer alto, mas que já foi bem maior. Após arrasar como o Netscape, o primeiro navegador web de uso comercial (o que rendeu processos antitruste na Europa), a Microsoft levou o IE a níveis de adoção próximos dos 90%. E por mais paradoxal que possa parecer, isso não foi nada bom para o IE. A acirrada competição desencadeada pela Fundação Mozilla e seu Firefox, embora tenha equilibrado essa disputa, deu novo fôlego novo ao navegador, cujo desenvolvimento havia se estagnado na versão 6.

Depois de ver seu reinado ameaçado pelos rivais, a empresa passou a investir mais, o que resultou em melhorias bastante significativas nas últimas versões, principalmente em dois pontos bastante sensíveis até a sexta versão: segurança e complacência com padrões web.

Na área da segurança, novos recursos, como o DEP (Data Execution Prevention) e o Modo Protegido, conseguiram blindar o navegador de maneira satisfatória. A falha explorada nos ataques chineses ao Google e outras empresas de tecnologia em janeiro desse ano, por exemplo, embora estivesse presente em todas as versões do IE, não pode ser explorada nas 7 e 8, justamente por conta dessas ferramentas circunstanciais de segurança. Hoje, pode-se dizer que navegar no IE 8 é tão seguro quanto fazê-lo em qualquer outro navegador.

No campo dos padrões web, a oitava versão do Internet Explorer quebrou um velho paradigma, e finalmente trouxe um motor de renderização robusto e que respeita as convenções do W3C, órgão que padroniza linguagense outras diretrizes na web. Para que páginas criadas especificamente para versões antigas do IE não ficassem “quebradas” da noite para o dia, um inteligente sistema de compatibilidade foi implementado: sempre que uma página apresenta problemas de renderização no motor novo (que é o padrão), o modo de compatibilidade entra em ação e a recarrega com o motor antigo, do IE 7.

Além de correr atrás e sanar pontos críticos do IE, a Microsoft não deixou de lado a inovação e trouxe conceitos interessantes no IE 8, com destaque para os Web Slices, espécies de feeds interativos, e os Aceleradores, atalhos para tarefas rotineiras acessíveis pelo menu de contexto.

Sobre o futuro…

No dia 16 de março, durante a MIX ’10, conferência anual da Microsoft para desenvolvedores web, a empresa mostrou mais detalhes do novo Internet Explorer 9, dando sequência às informações oferecidas no final de 2009, na PDC, outra conferência anual.

Tivemos a apresentação de muitos novos recursos primeiramente destinados a desenvolvedores, mas que, futuramente, serão convertidos em facilidades e maior desempenho para o usuário. Uma dessas novidades que mais chamou a atenção, e que promete causar mais impacto, é o uso da aceleração da placa de vídeo para renderizar imagens, vídeos e animações exibidas no navegador. A título de exemplo, foi feito um teste prático na MIX ’10: o Chrome, um dos navegadores mais rápidos do mercado, não conseguiu rodar um vídeo em HD (720p) sem as famosas travadinhas,além de consumir quase 100% do processador. Já o IE9, graças à aceleração da placa de vídeo, exibiu não um, mas dois vídeos HD (720p), consumindo menos de 50% da CPU.

Superdica!

O add-on IE7Pro é um companheiro muito interessante para o Internet Explorer. Ele acrescenta diversas opções avançadas que ainda não foram implementadas nativamente no navegador, como bloqueio de anúncios, arrastar e soltar melhorado e navegação por gestos com o mouse. O add-on é gratuito e, apesar do nome, funciona perfeitamente no IE 8.

Firefox

Firefox.

Se hoje existe forte competição entre navegadores, a “culpa” é do Firefox. O projeto surgiu no início da década como uma variação do finado Mozilla Suite, navegador considerado sucessor espiritual do veterano Netscape e, que a exemplo deste, também trazia uma série de “extras” embutidos: de cliente de email até bate-papo via IRC (o avô dos mensageiros instantâneos). Com a proposta de ser mais leve e centrado apenas na navegação, o Firefox, que antes de adotar esse nome era conhecido por Phoenix e Firebird, apareceu para mudar o mundo.

Foi com uma propaganda gigantesca (devidamente financiada por doações de usuários) na versão de papel do jornal The New York Times que, em 2004, o Firefox 1.0 tornou-se conhecido do público. Esse lançamento foi chamado de “o retorno à web”, já que o produto da Mozilla trazia de volta avanços na área, o que o fez atrair muitos usuários e popularidade rapidamente. Mais versátil, mas sempre respeitando padrões web, logo o Firefox saiu dos círculos mais restritos para cair nas graças do povão.

No entanto, o maior trunfo do Firefox reside, sem dúvida, nas extensões, pequenos complementos que podem ser instalados no navegador para expandir suas funções e capacidades. A variedade é gigantesca, o que permite personalizá-lo de maneira profunda. Mesmo enfrentando problemas de instabilidade e consumo exagerado de recursos, o Firefox mantém sua base de usuários, em boa parte graças à genialidade de algumas extensões mais famosas.

Mas além desse alto nível de personalização, quem usa o Firefox desfruta de um motor de renderização, o Gecko, bastante confiável e antenado com as últimas novidades em linguagens para a internet, como HTML5 e CSS3. O motor JavaScript Trace Monkey, responsável por carregar partes invisíveis, porém vitais de páginas mais complexas como Gmail e orkut, também vem melhorando a cada nova versão, e, de modo geral, o comportamento instável do programa tem sido amenizado ultimamente.

Sobre o futuro...

De todos os navegadores, o que mais promete a curto e médio prazo é o Firefox. Antes mesmo da liberação da versão 3.6, em janeiro, já havia planos para as duas versões seguintes, 3.7 e 4.0. No final de janeiro, mudança drástica nos planos: a versão 3.7 foi riscada do cronograma.

Isso é ruim? Não. A Mozilla, já faz algum tempo, tem tido problemas para cumprir prazos. Além disso, a política da empresa de entregar muitas novidades em poucos lançamentos (um a dois por ano) foi mudada. Agora, o foco é fragmentar as novidades em versões “menores”. A primeira versão dessa nova fase, caso o cronograma seja cumprido, deve ser a 3.6.4, que trará plugins rodando em processos separados.

Para a versão 4.0, próximo grande lançamento prometido para o final do ano ou começo de 2011, haverá uma mudança significativa na interface. Mais parecida com a do Chrome, e fazendo bom uso dos efeitos do Aero Glass, será uma bem-vinda modernização no já cansado visual do programa (obviamente, outras novidades estarão presentes, como plug-ins rodando em processos separados, mas ainda é cedo para especular).

Superdica!

Quer ter já o visual do Firefox 4.0 na versão 3.6? Então confira o tema Strata40, combinado com a extensão StrataBuddy, ou o tema TwentyTen.

Opera

Opera

Uma piada no meio geek diz: “o Opera é o melhor navegador que ninguém usa”. Desenvolvido na fria Noruega, trata-se de um dos mais antigos do mercado, e traz a fama de ser o percussor de vários recursos – mesmo quando não é o caso. As abas, cujo pioneirismo é recorrentemente atribuído a ele, surgiram primeiro no Netcaptor, por exemplo. De qualquer maneira, em outras áreas, o Opera realmente inovou bastante, e o mote dele de ser “o navegador mais rápido do mundo” voltou a fazer sentido com o lançamento da versão 10.50, no comecinho de março.

Quem usa o Opera precisa estar preparado para lidar com sites incompatíveis. Hoje, o problema não é tão crítico, mas, em casos extremos, há sites que simplesmente não funcionam nele. Vale ressaltar, ainda, que muitos deles apenas não dão suporte ao Opera, o que não significa, necessariamente, que não funcionem quando acessados por ele.

Superado esse problema, o usuário do Opera depara-se com um navegador robusto e muito bem construído. Ele não oferece extensões, mas sua gama de recursos é tão vasta que dificilmente alguém se sentirá limitado. O nível de avanço do Opera é tanto, que é possível até navegar pelo microfone, via comandos de voz (em inglês). Vale destacar, ainda, a incrível velocidade de renderização das páginas, ponto tratado com muita atenção na versão mais recente. Segundo testes do site BetaNews, hoje, o Opera 10.50 é o navegador mais rápido do mercado.

Mantendo uma tradição de antigamente, o Opera traz, além do navegador em si, cliente de email, leitor de feeds, cliente de torrent e programa de bate-papo (IRC) embutidos. Há quem os use com fidelidade, mas o forte mesmo é a navegação, ajudada por complementos oficiais muito interessantes, como o Opera Turbo, que acelera a navegação em conexões lentas; o Opera Link, que sincroniza favoritos e preferências do usuário entre vários computadores e até celulares; e o Opera Unite, que cria um servidor web doméstico com poucos cliques.

Mesmo esbanjando qualidade e com recursos a perder de vista, o Opera não consegue emplacar. Sua base de usuários não passa dos 2%, e navegadores mais novos, como Firefox e até mesmo o Chrome, já o deixaram para trás. A grande força do Opera, porém, está no segmento móvel. Opera Mini e Opera Mobile, os navegadores para dispositivos móveis da Opera ASA, que recentemente chegaram à quinta versão, lideram o mercado.

Sobre o futuro...

Graças a uma decisão da União Europeia, após um longo processo antitruste, a Microsoft foi obrigada a exibir, na Europa, uma tela de escolha de navegadores. Isso apressou o desenvolvimento do Opera 10.50, que, em dois dias, teve quatro versões RC (candidatas a lançamento), além da versão final. Como resultado, porém, o número de downloads do Opera na Europa triplicou.

A empresa, a exemplo do Google, não comenta com muita antecedência as novidades das próximas versões. Mas agora que entrou novamente na guerra pela velocidade, é bem provável que a empresa continue investindo nessa área, além de incrementar a compatibilidade com sites, o calcanhar de Aquiles do programa há muito tempo.

Superdica!

Além de navegador para desktops e celulares, o Opera também conta com uma parte web bem interessante. No My Opera, usuários do navegador podem criar blogs, compartilhar fotos, frequentar os fóruns de discussão e interagir com outros usuários do programa. O mesmo login dá acesso ao Opera Link e Opera Unite, citados acima.

Comentários
André comentou em 18/10/10 às 16h15: Responder Só uma correção na frase que abre o artigo: ″Na década passada, quando uma tal de internet começava a virar febre, Bill Gates disse que era apenas uma “moda passageira”.″ Isto não é verdade. Basta ler ″Estrada para o Futuro″, para ver que Bill Gates foi um visionário da internet, e muitos dos recursos citados por ele no livro estão presentes hoje, ou em desenvolvimento. Ótimo artigo, parabens








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