Ao longo dos anos, estágios de desenvolvimento de software passaram a fazer parte do linguajar do povão. Alpha, Beta, RC, RTM... Termos usados pelos desenvolvedores para definir estágios evolutivos anteriores à liberação da versão, em tese, pronta para uso e livre de bugs. A Google popularizou o "Beta", praticamente uma marca registrada em seus serviços, e desde então, o termo não suscita mais temores nos usuários ávidos em pôr as mãos nas novas versões dos seus programas favoritos.
Desse mar de letrinhas que se referem aprodutos inacabados, as siglas RC e RTM são as menos perigosas. RTM é um acrônimo usado para se referir às versões finalizadas de software. RC, àquelas que, aparentemente, estão prontas para uso, mas precisam de testes. Se bugs forem encontrados, ainda dá tempo de corrigi-los antes da RTM; se não, converte-se nessa e é liberado aos usuários.
O Internet Explorer 9 RC, lançado ontem, pode seguramente ser transformado em versão final. O navegador da Microsoft evoluiu bastante, está mais rápido do que jamais esteve e pode, muito bem, bater de frente com Chrome e Firefox na "Terceira Guerra Mundial de Navegadores".
Após a instalação, que não tem a interferência do usuário mas, infeliz e compreensivelmente, ainda requer a reinicialização do sistema, o IE9 RC assusta pela agilidade com que abre. Até a oitava versão, mesmo após surgir na tela o IE precisava de um tempinho para estabilizar, lapso no qual ele não respondia. Em computadores com menos recursos, a demora era terrível. No IE9 RC? Início imediato. Tão rápido quanto o Chrome, deixa o Firefox comendo poeira.
Agilidade é, de longe, a marca do IE9. Há inúmeras melhorias internas, complascência com padrões Web, HTML5, CSS3, sites fixados no Windows 7, etc., mas nada chama mais a atenção do que a velocidade da interface. Mesmo em comparação com o Beta, o salto evolutivo desse aspecto é notável.
Fora isso, o IE9 RC traz pequenas melhorias em diversas áreas. Começando pela interface, a mais fina, verticalmente falando, do mercado. A Microsoft mexeu nos ícones da minimalista barra superior, que abriga a OneBar e a de abas, deixou essas com bordas quadradas e deu a opção de jogá-las para baixo, eliminando uma severa crítica de heavy users que trabalham com vinte, trinta, cinquenta abas abertas ao mesmo tempo. Para tal, clique com o botão direito do mouse na parte superior da janela e selecione a opção "Mostra abas numa linha separada".

As abas, por sinal, agora mostram o "X" para fechá-las independente de estarem em foco.
No quesito segurança, as opções de filtragem de itens de rastreamento/trackeamento, prometidas em dezembro passado, apareceram. Junto dessa, também há um novo sistema de filtragem de controles ActiveX, um bem-vindo reforço na segurança e, também, em desempenho, já que por padrão todos os plugins que utilizam essa tecnologia para funcionarem precisam da permissão do usuário.
Agora sites fixados podem abrir múltiplas abas, o que permite configurações interessantes, como uma janela do IE dedicada a redes sociais — dica: Facebook e Twitter oferecem suporte a isso.

Nos bastidores, o motor JavaScript Chakra ficou ainda mais rápido. Velocidade, aliás, também visível na renderização de páginas, graças à aceleração via hardware, e na exibição de vídeos, principalmente após a instalação do recente Flash Player 10.2. A Microsoft também incluiu suporte à geolocalização, que usa o endereço IP da máquina e, se disponível, do Wi-Fi para localizá-lo num mapa. Sem GPS. Esses e outros recursos bacanas do IE9 podem ser testados no Internet Explorer Test Drive.
Existem muitos "geeks" que, satisfeitos com seus navegadores, seja Chrome, Firefox ou Opera, minimizam a importância do IE e os avanços que a Microsoft vem obtendo. Independente de escolhas e/ou convicções, é bom ver o IE evoluir, afinal, estando apto a rodar Web apps desenvolvidos com tecnologias avançadas, todos ganham: desenvolvedores, mais liberdade e ferramentas para trabalharem; usuários, a certeza de que aquela aplicação rodará no seu navegador favorito. O Internet Explorer 9 não é perfeito, como qualquer outro, aliás, mas está fazendo seu dever de casa direitinho. E, depois de passar um dia usando esse Release Candidate, dá para dizer que quando a versão final sair, ela poderá incomodar os ditos revolucionários, sem sombra de dúvida.

